A vida nos foi concedida a bilhões de anos. E o que fazemos com ela?
Se a vida teve inicio há cerca de 1 bilhão de anos, tivemos que esperar 400 mil anos para ver a primeira célula nervosa. É aí que começa a vida como conhecemos.
Cérebros em formação, de algumas poucas miligramas. Ainda não é possível detectar nenhum sinal de inteligência. Ele age mais como um reflexo. Com um neurônio há vida. Com dois neurônios há movimento. E, com movimento, coisas interessantes acontecem.
A maioria das espécies animais usam apenas de 3% a 5% da capacidade cerebral. Mas quando chegamos ao homem, ao topo da cadeia, vemos uma espécie usar maior capacidade. 10%. Parece pouco, mas imaginem tudo que fizemos com isso.
Interessante destacar um caso especial. O único ser vivo que utiliza o cérebro melhor do que nós. O golfinho. Estima-se que o golfinho utiliza até 20% de sua capacidade cerebral. Em particular, isso permite que tenha um sistema de eco-localização mais eficaz que qualquer sonar - instrumento usado em época de guerra para a localização de submarinos - já inventado pela humanidade.
Mas o golfinho não inventou o sonar, ele o desenvolveu naturalmente. E este é o ponto crucial da reflexão filosófica que fizemos de hoje.
Podemos então concluir que o ser humano está mais preocupado em ter do que em ser?
Para seres primitivos como nós a vida parece ter um único propósito: ganhar tempo. E ganhar tempo parece ser também o único objetivo de cada uma das células de nosso corpo. Para atingir esse fim, a massa de células que forma de vermes a seres humanos tem apenas duas soluções. Ser imortal ou se reproduzir. Se o habitat - ambiente natural onde nasce, se desenvolve e procria uma espécie animal ou vegetal - não for favorável a célula irá escolher a imortalidade. Ou seja, auto-suficiência e auto-controle. Por outro lado, se o habitat for favorável, ela irá escolher a reprodução. Dessa forma, quando morre, passa seu conhecimento e dados essenciais à próxima célula, que os passam à próxima, e assim por diante. E assim, conhecimento e aprendizado sobrevivem ao tempo.
Imaginemos por um momento como seria nossa vida se pudéssemos usar 20% da nossa capacidade cerebral.